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Projecto Educativo de Escola
Índice
II. Linhas estratégicas de actuação 2. Participação na vida da escola 2.1. Órgãos de gestão intermédia 2.5. Pais / Encarregados de Educação 3. Projecto curricular de escola
"Não há ventos favoráveis para os que não sabem para onde vão." (Seneca)
Quatro anos após a construção do primeiro Projecto Educativo de Escola (PEE) da ESFGA, é chegado o momento de proceder a uma avaliação do grau de prossecução dos objectivos aí apontados e, a partir daí, reformulá-lo com vista à definição do PEE para os próximos três anos. A (re)construção de um projecto que se defina só pela existência de um documento com contextualização, estratégia, objectivos, recursos, identificação de actividades e tempo, independentemente dos processos que levaram à sua construção, tem provavelmente pouco reflexo na dinâmica da escola. É com base na negociação que se deve desenrolar entre os diferentes intervenientes ou parceiros que constituem a comunidade educativa que se pode assegurar um compromisso conjuntural sobre os princípios que vão orientar a política da escola. É necessário o levantamento e conhecimento dos diferentes princípios educativos e ideológicos presentes na comunidade escolar, é necessária a discussão destes princípios na especificidade da realidade dos problemas da escola, é desejável e necessário chegar – em tempo definido – a um acordo, a uma opção que, no quadro dos princípios e valores educativos nacionais, oriente a elaboração e a realização do Projecto Educativo. Com base neste princípio, o Conselho Pedagógico (CP) definiu a seguinte metodologia de trabalho: 1º - nomear um grupo de trabalho para proceder à elaboração do projecto; 2º - divulgação e discussão, por parte de toda a comunidade educativa, do texto da proposta de PEE; 3º - apreciação, pelo CP, da nova versão do projecto, a apresentar pelo grupo de trabalho, resultante dos contributos da discussão havida; 4º - aprovação, pela Assembleia de Escola (AE) da versão final do PEE; 5º - divulgação, a toda a comunidade educativa, da versão aprovada do PEE para o próximo triénio.
II. Linhas estratégicas de actuação
Da análise dos diferentes instrumentos de avaliação organizacional que foram trabalhados(1), inferem-se diferentes áreas problemáticas a necessitarem de intervenção prioritária. Para essa intervenção, é fundamental definir linhas estratégicas da acção escolar. Estas linhas gerais distribuem-se por três aspectos fundamentais da vida da escola: formação cívica, participação na vida da escola e projecto curricular.
A escola assume como objectivos prioritários da sua acção durante os próximos três anos:
- Desenvolver nos alunos valores e atitudes de tolerância e respeito para com os outros e para consigo próprios, para com os materiais utilizados e meio envolvente, incluindo o património cultural;
- Promover uma atitude pessoal e profissional positiva por parte do pessoal docente e não docente, nomeadamente em termos de relações interpessoais, assiduidade e pontualidade, reforçando o respectivo prestígio junto dos alunos e restante comunidade educativa ;
- Desenvolver um clima de escola positivo, valorizando a disciplina, a tolerância, a cooperação e a amizade;
- Formular e divulgar regras comportamentais claras e inequívocas, e zelar pelo respectivo cumprimento por parte de toda a comunidade educativa;
- Promover a responsabilização individual e colectiva de acordo com essas regras;
- Combater o insucesso escolar, , desenvolver o gosto pela aprendizagem e pela participação na vida cívica de forma crítica e responsável;
- Humanizar o espaço escolar melhorando globalmente os espaços de trabalho e de lazer, interiores e exteriores, com o envolvimento activo dos alunos na sua gestão.
- Promover iniciativas culturais alargadas a toda a comunidade educativa onde se foquem temas relevantes para o PEE.
2. Participação na vida da escola
2.1. Órgãos de gestão intermédia
A melhoria da acção dos orgãos pedagógicos de gestão intermédia (Departamentos Curriculares, Conselhos de Turma), é um objectivo assumido neste Projecto Educativo. Pretende-se chegar a uma efectiva diferenciação pedagógica, assente numa lógica de projecto que permita uma reconstrução do currículo de acordo com as necessidades e problemas vividos a nível da escola e dos alunos. Assim sendo:
- os Departamentos Curriculares (DC) terão como objectivo principal coordenar o desenvolvimento curricular assegurando uma efectiva elaboração e construção do currículo, ou seja, o trabalho desenvolvido pelos respectivos docentes na definição das aprendizagens / competências que se enquadram no contexto social da escola ;
- aos Conselhos de Turma (CT) competirá assegurar a passagem do currículo ao projecto, isto é, o trabalho a desenvolver pelos docentes visará, sempre numa perspectiva transversal: reconstruir o currículo enunciado pelos diferentes DC de acordo com as necessidades e problemas dos alunos das respectivas turmas transformando-o num projecto com significado para os actores; organizar as tarefas de aprendizagem segundo a lógica do projecto, em relação constante com o interesse dos participantes e as finalidades pretendidas; estruturar a avaliação de acordo com o projecto pretendido, dando-lhe eficácia e assegurando aprendizagens significativas;
A dinamização da Assembleia dos Delegados de Turma e de Assembleias de Turma constitui outra das prioridades da acção educativa, visto que estes órgãos podem vir a ser factores preponderantes na motivação, empenhamento e participação dos alunos na vida escolar. Deve-se, assim, desenvolver e aprofundar o trabalho pedagógico com as turmas e seus delegados, tarefa que será iniciada, no início de cada ano lectivo, com uma acção para Delegados de Turma.
Envolvimento efectivo nos diversos orgãos de gestão e empenhamento na tomada de decisões, assim como apoio a iniciativas individuais e colectivas com vista ao desenvolvimento de projectos pedagógicos autónomos e responsabilização na auto-organização desses projectos;
Melhorar o nível de participação nas actividades educativas e na administração da escola, valorizando as Assembleias de Pessoal Não Docente, a participação em actividades curriculares e extra-curriculares e a formação.
2.5. Pais / Encarregados de Educação
A escola assume como objectivo prioritário envolver os pais no processo educativo e promover a sua participação na vida da escola. Este envolvimento não poderá cingir-se apenas à tomada de conhecimento (como acontece na esmagadora maioria das vezes) do sucesso ou insucesso dos alunos mas que "procure também contribuir para o desenvolvimento do conhecimento e capacidade dos encarregados de educação em compreender a situação e os objectivos de cada nível de ensino, como também poderão ser comunicadas orientações com vista ao acompanhamento e auxílio dos educandos fora do espaço da escola." (Garcia, 1999) A implementação de uma cultura de colaboração beneficiará se for acompanhada pela introdução de modalidades de gestão participativa, reconhecendo e valorizando as competências e atribuições dos diferentes actores. No entanto, tratando-se de um processo complexo, e não existindo na escola "um ambiente favorável à participação exterior, é preferível iniciar o processo em campos limitados, com resultados alcançáveis. É melhor começar por desenvolver estratégias mais restritas, que incidam, por exemplo, nas formas e conteúdos de comunicação entre escola e o encarregado de educação, do que projectos muito ambiciosos que envolvam acções complexas, como a tomada de decisões."(Garcia, 1999) Assim sendo, a escola dará particular atenção, durante os próximos três anos: Reuniões professores / encarregados de educação (a nível de turma, no início e periodicamente durante cada ano lectivo) que não se cinjam à formalidade da comunicação dos resultados escolares dos alunos mas que sirvam, nomeadamente, para motivar os E.E. para um maior acompanhamento e participação na vida escolar do educando bem como para os professores conhecerem melhor os E.E.; Contactos individuais (DT/EE), nomeadamente a nível dos 7º e 10º anos de escolaridade no início de cada ano lectivo (conversas em que se debateriam formas de colaboração e comunicação e planos escolares); Organização de espaços de Formação Cívica (sessões que englobem encarregados de educação, professores e comunidade); Participação em eventos festivos (Festas de fim-de-ano e actividades organizadas pelos alunos) em que se solicite a colaboração dos EE, atribuindo-lhes responsabilidades - está provado que as festas podem funcionar como fundamentais no estabelecimento de uma imagem positiva da escola; Divulgação das actividades da escola (e, de uma forma geral, da informação com relevância para os EE) através de um boletim informativo e, para as informações mais formais ou institucionais, através do envio de Circulares e a montagem de um placard com informações dirigidas exclusivamente aos EE.
3. Projecto curricular de escola
Sendo a ESFGA uma escola secundária com 3º ciclo do ensino básico, o seu projecto curricular tem necessariamente que abarcar as duas modalidades da educação escolar de que fala a Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE). Esta tipologia cria compreensível complexidade organizacional que exige de toda a comunidade escolar, e particularmente ao corpo docente, um maior esforço no desenvolvimento do seu Projecto Educativo.
O Projecto Curricular da Escola, dado o centralismo do nosso sistema educativo, não poderá deixar de se integrar no eixo comum que constitui o currículo nacional. De qualquer modo, no sentido de garantir mais e melhores aprendizagens para todos, constituir-se-ão como orientações curriculares da escola:
O centrar o processo de ensino-aprendizagem no aluno, através da aposta numa lógica de projecto em que o professor funcione mais como animador e coordenador e menos como transmissor e expositor de conceitos; A aposta na flexibilização curricular como forma de mudança na prática da gestão curricular da escola visando a melhoria da resposta educativa aos problemas que derivam do contexto específico da escola, nomeadamente à falta de competências elementares de uma grande parte dos alunos que chegam à escola. A introdução desta flexibilização será progressiva implicando, em cada um dos três próximos anos lectivos, o 7º, 8º e 9º ano de escolaridade, respectivamente. A articulação horizontal dos currículos disciplinares. A diversificação das ofertas educativas através da implementação de turmas de currículo alternativo; Aproximação e inserção dos jovens na vida activa através da implementação de Cursos de Educação e Formação Profissional Inicial em áreas que, em cada ano lectivo, o Conselho Pedagógico da escola considere pertinentes, e da organização de estágios para os alunos dos Cursos Tecnológicos do Ensino Secundário. Organização de actividades de complemento curricular que, para além do aspecto lúdico, sirvam de valorização de áreas fortes dos alunos que são normalmente menos trabalhadas nas actividades curriculares. Aumentar a eficácia dos Apoios Pedagógicos (APA), diversificando e adequando as respectivas estratégias às necessidades específicas de cada aluno, valorizando prioritariamente os APA’s em contexto de sala de aula; Privilegiar o Centro de Recursos Educativos (CRE) como local essencial de apoio pedagógico-cultural, interligando-o ao trabalho curricular e extra-curricular. Melhorar a eficácia dos serviços especializados de apoio educativo – Serviço de Psicologia e Orientação Escolar (SPO) e Núcleo de Apoio Educativo (NAE) – tornando-os em veículos de uma escola mais inclusiva, facilitadora de uma justa e efectiva igualdade de oportunidades. Privilegiar as modalidades de Oficina, Projecto e Círculo de Estudos na Formação do Pessoal Docente (PD) e Não Docente (PND) nas áreas apontadas no presente PE como estratégicas para a escola e continuar a acarinhar a existência de Núcleos de Estágio do Ramo Educacional. Desenvolver parcerias ou protocolos com entidades relevantes para a execução do PEE: Câmara Municipal de Cascais, Junta de Freguesia de S. Domingos de Rana, Centro de Saúde da Parede, Faculdades. Desenvolver a cooperação com empresas. Esta colaboração, para além da actual organização de estágios, poderá incluir: concepção e realização de projectos comuns, oferta ou prestação de serviços por parte da escola, visitas dos alunos às empresas, vindas à escola de técnicos das empresas para animação de workshops, sessões de esclarecimento, etc. Iniciar um trabalho de colaboração com as escolas da zona, nomeadamente com aquelas de onde vem a maioria dos alunos, desenvolvendo esforços no sentido de aproximar os respectivos projectos educativos.
O grau de execução do actual PEE será alvo de avaliação no final do período para o qual foi fixado: três anos. Essa avaliação far-se-á através do Programa de Avaliação de Escola. Ao Conselho Pedagógico incumbirá a selecção dos indicadores a incluir no programa de avaliação bem como a definição dos respectivos instrumentos. Desta avaliação deverá resultar um relatório que servirá de suporte à reformulação do actual PEE.
(1) Programa de avaliação de escola 1997/98 e 1998/99; Diagnóstico Social do Concelho de Cascais
Canário, Rui (1992). Inovação e Projecto Educativo de Escola. Lisboa: Educa. Zabalza, M. (1992). Planificação e Desenvolvimento Curricular. Porto: Edições Asa. Madeira, Ana Isabel (1995). A importância do diagnóstico da situação na elaboração do projecto educativo de escola, in Inovação. Lisboa: IIE. Garcia, Orlando, et al (1999). Diagnóstico Social do Concelho de Cascais
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